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Lunes, 19 Noviembre 2018 12:09

Erros de Medição no Controle de Combustível: a busca pelo número impossível

Nelson Luís Margarido

Nelson Luís Margarido

Dir. Industrial na Korth RFID Ltda
Engenheiro Mecânico pela USP São Carlos

História verdadeira

Recentemente recebemos o chamado de um grande cliente reclamando sobre a detecção de uma falha importante em nosso sistema de medição. Segundo ele, havia uma diferença enorme entre o volume de combustível adquirido pela empresa e o total usado efetivamente no abastecimento da frota, o que evidenciava a medição equivocada.

A alegação disparou todos os alarmes dentro da Korth. Afinal, fazer medições precisas e entregar resultados confiáveis é uma das condições fundamentais do nosso produto. Imediatamente embarcamos no carro, rodamos 1000 Km de distância  e, na manhã seguinte, sentados diante do cliente, escutamos:

“Olha, acabamos de terminar uma obra no Pará que levou dez meses para ser concluída. No final, quando fomos checar os números, percebemos que havia uma diferença de cerca de oito mil litros, que teriam desaparecido. Essa constatação foi feita através do cruzamento de Notas Fiscais da refinaria com o total de combustível que foi utilizado, segundo o apontamento do seu sistema.“

Na hora pensamos: “temos um problema!” Foi aí que perguntamos quantos litros foram utilizados no total daquela obra e, depois de consultar seu ERP, ele respondeu: “Cerca de 1,1 milhões de litros”.

Fazendo as contas percebemos que 8.000 litros correspondiam a cerca de 0,7% do total gasto e que isso era decorrente dos erros de medição do seu processo. Alegamos então que não havia nada de errado, e que, na verdade, seu controle estava muito bom e essa diferença decorria dos erros de medição somados ao longo do seu processo de abastecimento. E ele compreendeu, dizendo:

“Interessante, mas esse não é o número que os diretores esperavam e você vai precisar me ajudar a explicar isso para eles”.

“E qual é o número que a diretoria esperava? “, perguntamos.

“ZERO”, ele respondeu. “Porque em outras obras que temos é esse o número apresentado”.

“Mas nas outras obras vocês têm automação de abastecimento?”, perguntamos em seguida.

“Não”, foi a resposta.

Por mais estranho que pareça, de todos os números que você pode encontrar quando faz a acareação entre os volumes recebidos e os totais usados no abastecimento, ZERO é o pior deles. O ZERO significa que os números que você está trabalhando foram inventados e são falsos, pois na prática é impossível de alcançá-lo.

E por que isso ocorre?

A medição de volume de líquidos é relativamente difícil de ser feita com exatidão. Existem várias tecnologias que permitem realizar essa medição, mas todas apresentam erros, em maior ou menor grau. A medição de volumes de óleo diesel é ainda um pouco mais difícil de ser feita, (quando comparada com água, por exemplo) pois a densidade desse óleo varia muito com a temperatura, impactando diretamente na medição.

ERRO 1 – TEMPERATURA

Independente do fornecedor do combustível, o óleo Diesel dilata e contrai de acordo com a temperatura ambiente. De forma aproximada, a variação do volume é de cerca de 1 litro para cada °C, para cada 1000 litros. Isso quer dizer que se você tem 1000 litros de óleo e a temperatura ambiente subir 1 °C, você passará a ter 1001 litros e se descer 1 °C, você terá 999 litros. É por isso que a nota fiscal da distribuidora marca o volume corrigido à 20°C.

Em um tanque subterrâneo com 20.000L, a temperatura leva muito tempo para ser alterada. São necessários dias para que varie 1 °C, mesmo que o ambiente esteja muito quente ou muito frio. Não ocorre do dia pra noite. Já num tanque aéreo, com volumes menores esse efeito pode ser observado mais rapidamente.

ERRO 2 – MEDIÇÃO DE NÍVEIS

A medição de níveis dos tanques para se calcular o estoque instantâneo na prática traz sempre números muito duvidosos. Além da temperatura, que já tratamos, é preciso também que se considere a quantidade de água e precipitados sólidos no fundo dos tanques (sempre é necessário um procedimento de esgotamento periódico dos tanques) que se formam naturalmente por condensação da umidade do ar e poeira que paira na atmosfera. Também é necessário considerar que a conversão de nível para volume é feita através de um cálculo matemático baseado na geometria do tanque que também possui erros de medição aceitáveis previstos em norma. Raramente é feita uma aferição real do tanque usando-se água, por exemplo. Por fim, a própria régua de medição é imprecisa com resolução de cerca de 0,5 cm que, dependendo do tamanho do tanque, pode impactar bastante no volume medido.

ERRO 3 – BLOCOS MEDIDORES

Existem várias tecnologias usadas para medição de volumes durante o abastecimento. As mais populares são blocos volumétricos de pistões ou de disco mutante, mas existem outras como medidores de engrenagens ovais, turbinas, ultrassônicos, etc.

Entre os populares, os medidores de pistões são os mais utilizados e normalmente apresentam um erro geral (somando-se acuracidade e receptibilidade) na ordem de 0,2%, quando novos. Com o uso e desgaste das peças internas esse erro aumenta e por isso são necessárias calibrações periódicas. Basicamente, cada medidor que for usado no seu processo soma 0,2% no erro total. Assim sendo, se você tem um tanque aéreo com medidor, que repassa para um caminhão de distribuição (teta) com medidor, que repassa para um comboio com outro medidor, que repassa para um tanque móvel com mais um medidor, seu erro mínimo esperado será aproximadamente soma dos quatro medidores e não deve ficar abaixo de 0,8%.

ERRO 4 – ENCERRANTE E MEIO DÍGITO

A maioria dos medidores de vazão são baseados em um mecanismo que se movimenta durante a passagem do líquido e que vai gerar o giro de um eixo que acionará um conjunto de engrenagens ou um pulser - quando se tratar de medidores eletrônicos.

Normalmente, o volume abastecido é apresentado com uma resolução de 100ml, ou seja 0,1 litro que, na prática, é uma boa resolução. Raramente as empresas exigem que a anotação do volume seja com resolução maior que essa, mesmo que o medidor apresente mais uma casa. Nos abastecimentos eletrônicos, normalmente se trabalha com duas casas.

Agora tome o seguinte exemplo: você realizou um abastecimento de 10,1 litros, mas na verdade o volume total foi 10,15 Litros. Na planilha será anotado 10,1 litros porque essa diferença de 50ml é insignificante para aquele abastecimento e, até aí, está tudo certo. Entretanto, essa pequena diferença de 50ml que não foi anotada, será somada no encerrante total do medidor. Na verdade, para todos os abastecimentos que são realizados sempre haverá uma pequena diferença que acabará sendo somada ao encerrante. Complicado? Vamos simplificar… se você somar todos os abastecimentos realizados em um determinado período e comparar com o encerrante total do medidor necessariamente deverá aparecer uma diferença que corresponde a soma de todas as pequenas diferenças de cada abastecimento.

Normalmente, o resultado do encerrante é um pouco maior do que a soma de todos os abastecimentos. Se, depois de milhares de litros abastecidos essa diferença for ZERO desconfie… você está recebendo números inventados, que foram calculados para que batessem.

Esses são os principais erros que impactam no seu processo de medição e controle de abastecimentos. De forma geral, erros abaixo de 1% são muito bons e mostram que seu processo está sob controle. Na verdade, a própria ANP (e o Fisco) consideram que um desvio de 0,6% é aceitável para postos de combustível, onde o controle é muito mais rígido. Erros maiores do que esses mostram que há falhas que devem ser tratadas e, se forem muito maiores, você está com problemas.

Mas, seja qual for o resultado de suas medições lembre-se: ZERO é um número impossível e demonstra claramente que você está sendo enganado, que os envolvidos estão fazendo contas para acertar os números e você precisa rever seus procedimentos.

Quer saber mais sobre como economizar combustível na sua frota? Conheça o Korth Guardian. Entre em contato conosco:

(16) 3416-1326

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