O dia em que o sistema deixou de ser levado a sério

Manutenção do sistema de controle de combustíve

O dia em que o sistema deixou de ser levado a sério

Imagine uma sala com mil portas.

Atrás de cada uma delas existe uma forma diferente de o combustível desaparecer: um abastecimento não registrado, um medidor desregulado, um lacre rompido, uma mangueira improvisada, um erro operacional ou um desvio intencional.

Agora imagine que você coloque um cadeado em cada uma dessas portas.

Enquanto todos os cadeados estiverem funcionando, o combustível só poderá sair pela porta correta.

Um dia, porém, um dos cadeados quebra.

Como ninguém o substitui, na semana seguinte quebram mais dois. Depois cinco. Depois dez. Em pouco tempo, metade das portas está aberta.

No final, alguém sempre conclui que o problema era a qualidade dos cadeados. Afinal, é muito mais confortável culpar o cadeado do que admitir que ninguém se preocupou em trocar o primeiro que quebrou.

Na Korth costumamos usar essa metáfora para explicar a gestão do abastecimento. Um sistema de controle funciona exatamente como essa sala: ele coloca um cadeado em cada porta, mas é a manutenção que garante que esses cadeados continuem cumprindo sua função.

Todo sistema de controle precisa de vigilância constante.

Lacres precisam ser conferidos.

Blocos medidores precisam ser aferidos.

Horímetros e odômetros precisam funcionar corretamente.

Leitores, válvulas, etiquetas e demais dispositivos eletrônicos precisam de inspeção periódica.

Quando essa rotina deixa de existir, acontece algo muito mais perigoso do que uma simples falha técnica.

As pessoas percebem.

Quando um operador vê um lacre rompido permanecer semanas sem substituição, entende que ninguém está olhando.

Quando um equipamento permanece meses com defeito, conclui que aquilo deixou de ser prioridade.

Quando um procedimento deixa de ser cobrado, passa a acreditar que ele já não importa.

A sensação de vigilância desaparece.

E é exatamente nesse momento que o sistema começa a morrer.

Curiosamente, essa deterioração quase nunca acontece de uma vez.

Ela acontece em pequenas concessões.

Primeiro um equipamento quebrado.

Depois um procedimento ignorado.

Depois uma exceção que “só dessa vez” pode passar.

Quando alguém percebe, o sistema continua instalado, mas já não exerce o papel para o qual foi criado.

Ao longo dos anos aprendemos que tecnologia representa apenas parte da solução.

A outra parte é disciplina.

Não basta instalar um bom sistema. É preciso demonstrar continuamente que ele continua funcionando, continua sendo acompanhado e continua produzindo consequências.

Nem toda ação corretiva precisa ser uma punição. Muitas vezes basta um treinamento, uma orientação ou uma correção de procedimento. O importante é que as pessoas percebam que existe acompanhamento.

No final, equipamentos raramente fracassam sozinhos.

Eles quase sempre refletem a qualidade da gestão.

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